reflexão | Adopt, don't shop

by - terça-feira, outubro 17, 2017


Foi em Fevereiro que adoptámos a nossa Pepita e em breve ela estará a completar 1 ano de idade - não sabemos exatamente em que dia, apenas sabemos que nasceu em meados de Novembro do ano passado. Estes últimos meses têm sido tão ricos que não consigo imaginar o que haverá mais para viver nos anos que se seguem - mas estou entusiasmada! Adoptar a Peppa foi, sem dúvida, uma das melhores decisões que tomámos e, ainda que eu no início não sentisse que estava a conseguir criar aquela ligação com ela, o tempo e penso que o facto de termos decidido tê-la dentro de casa a viver connosco ajudaram. 

Ao longo dos últimos meses às vezes dou por mim a pensar no que seria feito desta nossa franguinha se não tivesse sido adoptada. Será que seria a cadela meiguinha que é? Será que pediria mimos a todos quanto passam como faz ainda hoje? Será que teria alguém para brincar com ela? Alguém para a acolher nos dias frios e de chuva? Será que teria um teto?

Tendo sido entregue a uma associação de animais e, posteriormente, transferida para uma clínica veterinária, a Peppa acabou por ter mais sorte que a maioria dos animais que chegam a este mundo sem serem desejados. Felizmente alguém (que não sei quem nem em que circunstâncias o fez) teve o bom-senso de a entregar à associação, já que muitas vezes nem isso acontece.

O abandono animal é uma questão que nos devia mais preocupar a todos e, sobretudo quem tem animais, devia ter mais presente a responsabilidade de evitar multiplicar esse número. Porque não basta ter um animal, é preciso tomar conta.

Foi também por ser esta a realidade que decidi que iria adoptar em vez de comprar. Para mim, que não faço questão de ter um cão de raça nem por capricho nem por necessidade, não faria sentido pagar por um animal quando existem tantos à espera de uma família. Não é o preço que os torna melhores ou piores companhias, certo? E, quando os levamos para casa, ninguém nos garante que serão bem-comportados porque custaram 3 dígitos. Então que diferença faz?

Eu respeito as pessoas que fazem questão de ter um animal de raça, elas têm as suas razões. Mas acho que é importante considerar sempre a hipótese de adoptar. Quanto mais não seja porque, em muitos sítios, a venda de animais de raça é um autêntico mercado negro, com os animais a serem criados em condições vergonhosas porque apenas representam dinheiro. Sim, nem todos os animais à venda vêm de quintas onde os seus progenitores vivem felizes - como eu tantas vezes imaginei, ingénua. Vale mesmo a pena alimentar este tipo de exploração em troca de um animal de raça a um preço mais convidativo?


Foi só desde que comecei a publicar fotografias da Peppa no Instagram que descobri a hashtag #adoptdontshop - usada tanto para cães como para gatos. Acho que vale a pena explorarem-na, vão descobrir perfis amorosos de animais com e sem raça que mostram que não é o dinheiro que paga a felicidade que um companheiro de quatro patas nos traz. 

Quando estiverem a pensar ter um animal, por favor comecem a procurar em associações de animais e canis. Nem é preciso irem lá pessoalmente, muitos já têm presença nas redes sociais e publicam lá os animais que têm disponíveis para adopção. Pensem nas características que procuram num ou simplesmente deixem-se convencer por aquele que vos diz mais, sem que consigam explicar porquê. E quando tomarem a decisão de o levar para casa, percebam que é uma vida que está entregue a vocês e, como tal, precisa de ser respeitada e cuidada. Porque pior que adoptar sem consciência é não ter coração e abandonar um animal que depende de nós - porque podemos nem ter conseguido criar laços com ele mas, para ele, nós somos o mais importante no mundo. 


Desta vez o post só tem fotos da nossa Pepita, mas tudo isto se aplica também ao nosso gato Mico, adoptado da rua e que provavelmente não seria tão amoroso e tão mimalho se fosse vadio.

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6 comentários

  1. Amei a primeira foto, acho que transparece muito amor e cumplicidade.:) Eu não sou contra quem queira um cão de determinada raça, acho que independentemente de comprar ou adoptar tem sempre que haver a consciência de que um animal não é um brinquedo e traz muitas responsabilidades! Se assim fosse tenho a certeza que as pessoas seriam mais ponderadas e por isso o número de abandonos iria diminuir!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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    1. Olá Daniela :)
      Obrigada! Eu também não sou contra, aliás, tenho pessoas próximas que compraram os seus animais de estimação e cuidam bem deles, não é isso que está em causa. Apenas acho que devemos todos considerar a adoção antes da compra :)
      Beijinhos!

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  2. Eu também adotei uma cadelinha! E a primeira cadela também foi adotada! Mas sou-te sincera, adorava ter um pug e não vi ainda nenhum para a adoção :(

    Beijinhos
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    1. Eu também tenho algumas raças preferidas mas acho ridículo os preços que praticam - sobretudo se a raça em questão estiver "na moda"! Tenta procurar alguém que tenha um pug e que talvez essa pessoa conheça outras pessoas que têm ninhadas :)

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  3. O meu Enzo foi comprado quabdo estava na Suíça mas porque a senhora o enviava ja com todos os papéis tratados, vacinas e chip. Não me arrependo nada pois adoro o meu cão. Quanto ao que falaste de quem deixa os animais terem filhos assim sem controlo também não entendo. A uns tempos queriam por o meu cão com uma cadela que está sempre presa na rua. Eu disse logo que nao. Não ia permitir que engravidasse uma cadela par a depois os bichinhos estar em ai aos montes na rua.

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    1. Também conheço pessoas que "compraram" o seu cão pagando apenas as despesas das vacinas e chip - digo "compraram" porque, nesse caso, não acho que tenha sido uma compra. O problema das cadelas engravidarem é que tanto podem ter só uma cria como 6! E é difícil encontrar pessoas suficientes para adotar todos os filhotes, alguns acabam por ser abandonados :( Há uns meses andava aqui um cão (abandonado...) a rondar a casa e todos os dias eu saía para o trabalho com medo que a minha Peppa fugisse ou que o cão conseguisse entrar para o jardim e a emprenhasse, ia ser um problema! Felizmente penso que ele acabou por ser recolhido pelo canil municipal.

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