look | O conjunto azul-marinho e algumas reflexões

by - quarta-feira, outubro 11, 2017



É sobretudo ao fim de semana que aproveito para me valorizar, vestindo as minhas roupas preferidas e maquilhando-me mesmo que, por vezes, as saídas não sejam muito mais do que uma ida ao supermercado. Acho importante este exercício de valorização pessoal sobretudo para não me acomodar e chegar ao dia em que já nem me esforço por sair à rua apresentável.

No início deste mês adivinhavam-se temperaturas altas e eu queria vestir algo fresco. Escolhi a minha saia azul escura, que é das mais versáteis que tenho e que já publiquei aqui no blogue várias vezes (look 1, look 2, look 3, look 4), experimentei-a com uma blusa-túnica branca mas não gostei de ver. Na gaveta piscava-me o olho uma blusa também azul escura que comprei nas minhas férias na Suíça mas estava na dúvida: não ficaria um look muito escuro? Não ficaria tudo "justo demais"? Vesti e gostei do resultado!

Há alguns anos, por causa do meu complexo em mostrar o corpo, seria um desafio para mim sair à rua assim: com uma parte de cima justa e mini-saia. Não porque achasse que me vestia de forma provocadora ou mostrasse algo que "não é para ver", mas sim porque me sentiria muito exposta. Quando me vestia com peças assim reparava ou tinha a impressão que as pessoas ficavam a olhar para mim, para o meu corpo, como se algo de errado se passasse. Sentia-me desconfortável, "censurada" por isso, preferia vestir peças mais "normais" e passar despercebida.

Demorou mas finalmente comecei a interiorizar que é uma parvoíce tomar decisões sobre o que vestir em função de pessoas que não conhecemos de lado nenhum e com quem provavelmente só nos vamos cruzar uma vez. Quando gostamos de peça X e gostamos de nos ver vestidas com ela, temos mais é de a vestir! Os olhares alheios não podem influenciar a forma como nos sentimos e não podem tirar-nos a oportunidades de nos sentirmos bonitas. Estejamos nós vestidas com roupas justas, largas, de preto integral, às bolinhas ou outra coisa qualquer. O estilo - ou a falta dele - é algo muito pessoal e é por isso que, para mim, na moda não existe um certo e um errado assim tão linear.

E pondo para trás das costas as inseguranças, as tentativas de adivinhar o que as pessoas pensariam quando me vissem, a dúvida se as peças combinam na perfeição ou não, saí de casa a sentir-me bem comigo e decidi registar este momento com algumas fotografias do look do dia - mesmo tiradas à pressa com o telemóvel. 


Neste dia fui a um almoço em família, passeei um pouco por Leiria e fui a um jantar de aniversário. Não reparei que alguém olhasse para mim de forma diferente, até porque nem sequer pensei nisso ou me dispus a reparar. Se calhar os olhares que eu recebia há uns anos quando me vestia desta forma só tinham a importância que eu lhes dava porque me sentia insegura comigo própria. Porque muitas vezes criamos problemas que não existem e agarramo-nos a eles convencidas de que são reais. 

Está na hora de rever os complexos e preconceitos que temos e perceber como limitam a nossa forma de estar na vida. Provavelmente estamos a perder muito por causa de censuras que criámos a nós mesmas sem que nos tenhamos apercebido...

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