hobbies | Review do Livro 'Diz-lhe Que Não' e inevitáveis considerações sobre amor

by - domingo, junho 04, 2017


Não é habitual eu fazer reviews de livros porque, regra geral, levo eternidades até acabar de os ler. Mas quando comprei o livro da Helena Magalhães sabia que ia ser diferente, porque já devoro a rubrica dela "O amor é outra coisa" com grande facilidade - não me enganei: demorei exactamente 1 semana a lê-lo (recorde para mim!). É de muito fácil leitura porque todo o livro está escrito como se a Helena estivesse a falar connosco, a confidenciar-nos vivências e a aconselhar-nos. Eu concordei com muita coisa, discordei de outras e, nestas nestas últimas páginas, já nem conseguia concentrar-me bem porque havia muita coisa para reflectir e que queria dizer! Como só posso responder à Helena por escrito, faço-o neste post de review do livro "Diz-lhe que Não".


Antes de mais... eu não ia comprar o livro

Vou confessar-vos uma coisa: apesar de ser leitora assídua do The Styland e da sua rubrica, eu não pensei comprar o livro quando ele saiu - talvez por ter uma visão muito própria do amor, por estar numa relação longa e saber que o livro é um apanhado de não-relações que me iam deixar a pensar demasiado (leia-se: paranóica). Mas ele perseguiu-me! Não parava de me aparecer na cronologia e nos stories do Instagram, no Facebook, deu por mim a ouvir uma entrevista à Helena n'A Prova Oral (minha companhia constante nos regressos a casa depois do trabalho)... enfim, não havia como fugir e acabei por ceder. 


As primeiras impressões do livro (tentando não ser muito spoiler)

Bem, o amor é mesmo muitas coisas e, infelizmente, para muitas de nós, por vezes é mesmo uma merda. No tempo dos nossos avós parecia bem mais simples: o primeiro amor era o que, regra geral, levava ao casamento e a uma vida de união de décadas com filhos e netos à mistura. Com os nossos pais as coisas complicaram-se um pouco e, na nossa geração, encontrar alguém decente pode parecer uma busca sem fim à vista. Pelo meio há sempre histórias que nos escapam - porque não há relações perfeitas - e é nisso que o livro da Helena se destaca: dá-nos a conhecer histórias verídicas, de pessoas que ela conhece pessoalmente, relatando realidades que, por vezes, nos são alheias mas que precisamos de conhecer para nos fortalecermos emocionalmente.


Livro não aconselhado a pessoas vulneráveis

Este é daqueles livros que nos abre a mente para outras realidades no amor que, de tão más que são, algumas parecem ficção. Eu sabia que o "Diz-lhe Que Não" ia mexer com a minha bolha de confiança porque muitas vezes basta saber, por exemplo, que a amiga da amiga terminou uma relação de anos ou ver um romance dramático para soar um alarme na minha cabeça e começar a questionar tudo: as intenções das pessoas, a honestidade, a capacidade de esconderem uma vida dupla, a tendência para relativizar as traições, etc.

E neste livro há mesmo de tudo. Por isso preparem o vosso coração porque, ou vão identificar-se muito com os casos mal resolvidos e eles servir-vos-ão de lição ou, por outro lado, não terão nada a ver com a vossa realidade mas deixar-vos-ão alerta.


Todas as relações têm um "mas"

Quando conhecemos alguém, desconhecemos muito do seu universo - há mesmo quem defenda que nunca conhecemos realmente alguém, o que acho um bocado assustador - por isso, para não nos magoarmos logo à partida, defendo que devemos tentar conhecer minimamente bem a outra pessoa antes de avançar para uma relação. Há que saber identificar os "mas" que conseguimos suportar e os "mas" com que não compactuamos de todo. Em alguns casos podem ser coisas simples, como aceitar que a outra pessoa tem interesses e gostos diferentes dos nossos e, noutros casos, pode ser algo mais complexo como ter de lidar com problemas pessoais mal resolvidos - como na história do Pila Pequena - ou até mesmo com a existência de uma terceira pessoa.


Amor e traições

Não se pode falar de amor sem, eventualmente, falar também em traição. Isso é claro no livro "Diz-lhe Que Não" e, ao lê-lo, tomei [mais] consciência do que existe "lá fora". Às vezes parece que anda meio mundo a trair outro meio e que OH MEU DEUS, será que isso está a acontecer comigo e eu não me apercebo?! Conheço pessoas com namoros longos que foram traídas, perdoaram e seguiram em frente com a sua relação. Mas, para mim, uma traição representa uma relação que está condenada porque se quebraram dois pilares fundamentais: o respeito e a sinceridade. Se a pessoa quer trair, se se sente atraída por outra e quer explorar isso, que resolva o que já tem antes de avançar. É o mínimo que se pede a alguém que assumiu um compromisso connosco, não?

Quando estamos numa relação há muito tempo, sentimo-nos seguras e isso faz com que, por vezes, baixemos a guarda e tomemos tudo como garantido. A solução não passa por viver em desconfiança constante, com teorias da conspiração na cabeça e prontas para descortinar todo e qualquer sinal: temos sim de ter consciência que, para uma relação resultar, há que trabalhar diariamente, amar a outra pessoa, expressar isso de todas as formas e exigir amor em troca. Caso contrário podemos estar a criar espaço para uma terceira pessoa - conhecem aquela teoria de que "só trai quem não está satisfeito com a sua relação", certo?

No entanto isto não é linear. Há quem faça tudo certo e seja traído e há também quem prefira viver numa relação em que sabe que é traído do que acabar tudo e ficar sozinho...



Concluindo...

Já a minha mãe dizia que "cada um sabe de si e Deus sabe de todos" - adoro esta expressão! E é verdade: não podemos julgar os relacionamentos alheios porque só as pessoas envolvidas é que sabem realmente o que se passa, o que sentem que merecem e o que estão dispostas a aceitar. Todas as histórias do livro da Helena são contadas do ponto de vista dela, não conhecemos a outra versão. A cabra com quem o nosso namorado nos trai pode não ser tão cabra assim - como na história do Extraditado - e o homem que se mostra interessado em nós mas que nos evita - como o Telecomunicações - há-de ter uma explicação para dar, que podemos aceitar ou não. Mas, no amor, é difícil ser racional e distinguir o certo do errado. Pensamos com o coração e a tendência é para viver o presente e dar uma hipótese a quem aparece com a promessa de nos fazer felizes.

A Helena fala sobre isto na conclusão do livro e eu, que estava com receio de ficar decepcionada nas últimas páginas, encontrei um equilíbrio e um discernimento reconfortantes. Mais palavras sábias de quem já tem um longo mestrado em relações - como ela própria admite - e faz uso dessa sabedoria para nos dar a conhecer um pouco mais deste mundo do amor e do desamor.

Aconselho a leitura? Sim! Porque a Helena consegue que a Olívia, a Beatriz, a Laura e as outras protagonistas das histórias se tornem próximas de nós, como se estivéssemos na mesma mesa do restaurante ou do café a conversar sobre as frustrações do amor e as ironias da vida. Seja em que fase da vida estejamos e do nível de experiência que temos, elas ensinam-nos algo, fazem-nos reflectir e alertam-nos para a realidade à nossa volta. E eu gosto de livros que, apesar de me tocarem em feridas, me ajudam a seguir em frente. Obrigada, Helena! 💘


Posts relacionados

1 comentários

  1. Agora fiquei com vontade de o ler.:p

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

    ResponderEliminar

Obrigada pelo teu comentário ♡
{activa a opção 'Notificar-me' para saberes quando respondi}