pessoal | Eu sou uma pessoa de gatos... mas abri uma exceção à Peppa

11.6.17 SARA SILVA 0 Comments



Lembram-se do Filó? Eu sempre tive gatos, mas ele foi especial. Além de ser um gato de casa e receber todos os mimos e cuidados, acompanhou-me ao longo de 9 anos e são muitas as memórias que guardo dele. Por isso, quando no ano passado adoeceu e acabou mesmo por não aguentar mais, senti um vazio enorme, mesmo tendo o Mico para atenuar a perda.

Os meses passaram, aprendi a lidar com a falta do Filó, mas ter apenas um animal já não era suficiente para mim. E comecei a amadurecer a ideia de experimentar "o outro lado": adoptar um cão.
Em casa dos meus pais cheguei a ter cães mas, sobretudo porque viviam apenas no jardim e eu sou muito caseira, nunca senti uma ligação muito forte com eles - e animal meu tem de viver dentro de casa comigo.

Contei ao Zé a minha ideia e, ao longos dos meses seguintes, fomos pensando em conjunto no assunto, discutindo prós e contras e preparando as condições necessárias - uma delas foi fechar o quintal, para que o nosso futuro cão pudesse sair de casa sem perigo. Não queríamos comprar um cão, sobretudo quando há tantos em canis e etc à espera de um lar, e eu só tinha dois critérios: teria de ser de porte pequeno e de pêlo curto.

Certo dia em Fevereiro combinámos os dois ir conhecer uma cadelinha de três meses branca e preta, a fazer lembrar um dálmata, que eu tinha visto no Facebook que estava para adopção - a ideia era só conhecê-la e falar sobre a adopção, mas ambos sabíamos que, de certa forma, já estávamos a comprometer-nos com levá-la para casa. Chegados à clínica veterinária onde ela estava (vinda de um canil que já tinha excedido a capacidade máxima), reparámos que, na mesma "gaiola" estava uma amiguinha também para adopção. O Zé ficou a preferir essa segunda cadelinha, preta e castanha mas, como eu continuava a preferir a primeira, a enfermeira sugeriu que pegássemos nas duas, à vez, para nos decidirmos. A cadelinha malhada não reagiu a nenhum dos nossos colos, ficou simplesmente imóvel (o que me desiludiu um bocado...), mas a sua companheira, assim que foi para o colo do Zé (depois de não ter ligado nenhuma ao meu) começou a lambê-lo sem parar: pescoço, mãos, cara...! A decisão estava à vista e eu deixei o Zé escolhê-la - ou teria sido ela a escolhê-lo? - ainda que a previsão de crescimento dela não fosse de porte pequeno mas sim de médio, por volta dos 10kg. Seguiu-se o processo de adopção responsável, obrigatório para ficar com ela, que consiste em administrar-lhe as primeiras vacinas (contra a Esgana, Hepatite, Leptospirose, Parvovirose e Tosse de Canil), desparasitar, implantar o chip de identificação e assinar uma declaração em como nos comprometemos a ser responsáveis por ela, em tudo o que isso implica.


As semanas seguintes foram complicadas com tudo o que seria de esperar: o Mico a evitá-la e a soprar-lhe, ela a fazer xixi e cocó onde não devia, a brincar com o que não podia, a querer morder tudo... houve pelo meio alguns episódios engraçados (que na altura não tiveram piada...), muitos vídeos de dicas vistos no Youtube e tantas outras aventuras que não cabem neste post - o que acham de um à parte a contar-vos tudo isto, e com dicas que funcionaram connosco? E, apesar de ter sido eu a insistir para adoptarmos um cão, com todas estas dificuldades comecei a achar que ela simplesmente não era cadela para estar dentro de casa - eu ainda não sei muito sobre cães, mas sei que há cães que são mais de companhia que outros, e talvez ela de facto não fosse como eu tinha imaginado - por outro lado, partia-me o coração pensar em deixá-la no quintal, sobretudo numa altura em que ainda chovia e fazia frio.


O tempo foi passando e a Peppa - nome que escolhemos 2 ou 3 dias depois de a termos adoptado - lá aprendeu a ficar quieta quando a mandávamos parar, que os chinelos não eram para brincar, que as necessidades são para se fazer na rua e outras coisas que ainda estamos a tentar ensinar-lhe (sobretudo a não encher o Mico de baba, porque ele não é um brinquedo!). E, neste processo todo, o que me custou mais (além de estar constantemente a lavar o chão e a apanhar cocós) foi o facto de não podermos levá-la a lado nenhum durante 2 meses após a adopção pois, segundo a veterinária, ela ainda não tinha defesas suficientes para ficar imune a doenças transmitidas por outros cães ou por vestígios deixados por eles em parques e etc. Acho que levá-la a passear, nem que fosse aqui pela rua, a teria ajudado a gastar energia, a aprender a fazer as necessidades lá fora mais rapidamente e também a reforçar os nossos laços.

É curioso o facto de, desde aquele dia na clínica veterinária, a Peppa preferir o Zé a mim! Seja quanto ele chega a casa, quando ele sai, quando ele a chama... tudo com o Zé é mais intenso, como numa lealdade cega, ahahah. A veterinária disse que não há razão para isso acontecer, mas eu acho que a Peppa vê o Zé como o "macho alfa" e, por isso, podendo escolher entre mim e ele, ela escolhe sempre o Zé.


Entretanto a nossa Pepita já está a fazer 7 meses e, apesar da nossa casa ter mais pêlos, algumas coisas destruídas e menos sossego, já não dá para viver sem ela! É uma cadelinha irrequieta e brincalhona mas que sabe quando parar, adora receber atenção e é muito mimalha. Ainda temos várias coisas para aprender no que toca a lidar com um cão mas não estamos arrependidos e acho que, ao termos uma cadela e um gato, temos o melhor dos dois mundos. 💓

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