pessoal | 2 meses sem comprar nada - o desafio

26.5.17 SARA SILVA 0 Comments


Há algum tempo que queria desafiar-me a passar 1 mês sem comprar nada de supérfluo: roupa, acessórios, calçado, maquilhagem, etc. Queria experimentar o minimalismo e dar mais valor ao que tenho, não ser consumista, reservar o dinheiro para coisas mais importantes, dar uma nova vida às peças esquecidas no armário... e todas essas vantagens de que falam as pessoas que já experimentaram. Mas, assim que começava o mês a portar-me bem, sempre apareciam saldos, promoções relâmpago e outras tentações às quais eu não resistia.

Finalmente, lá para meados de Março, dei por mim a evitar este tipo de compras a todo o custo e por uma simples razão: outras despesas se impunham. De um momento para o outro, gastar 20€ numa camisola era um capricho que eu não podia ter, e a mesma disciplina teve de manter-se por mais um mês. Não foi planeado, foi mesmo por necessidade e, agora que as contas voltaram à normalidade, é que percebi que, sem querer, cumpri o desafio que andei a adiar durante meses!


Passei 2 meses sem comprar nada e não foi nada animador


Talvez por ter levado a cabo o desafio por uma questão de necessidade e não por espontânea vontade e data de fim definida, custou-me mais do que estava à espera. Vi-me obrigada a adiar várias compras que queria fazer, ignorar promoções tentadoras, desviar os olhos das novidades da nova colecção e lidar com o facto de todos à minha volta estarem comprar coisas novas. O meu guarda-roupa tornou-se mais aborrecido que nunca, a roupa pareceu envelhecer mais depressa, vestir-me de manhã passou a ser uma frustração e comecei a repetir as roupas e conjuntos mais vezes do que gostaria - incluindo peças que já pediam uma reforma de tão gastas que estavam.

Tudo isto tornou-se muito desanimante e teve um efeito negativo na minha auto-estima. Sentia-me como aquelas mulheres do What Not To Wear que, ao longo dos anos, se colocam em último lugar e simplesmente desistem delas próprias, sabem? Passam a andar sempre com o cabelo apanhado para não terem trabalho com ele, já não se maquilham, vestem a primeira coisa que lhes vem à mão - quanto mais básico, melhor - e acabam por passar uma imagem muito aborrecida delas próprias.

Esta experiência veio reforçar a minha teoria de que o nosso guarda-roupa tem peso na nossa individualidade. Não acho que esteja a ser fútil porque, no meu caso, não poder comprar significa, sobretudo, abdicar de algo que me anima e de uma forma de recompensa pessoal. Se me farto de trabalhar e estou desanimada, comprar e usar uma peça nova que andei a namorar e/ou que me faz sentir bonita é um estímulo para que os dias sejam melhores. E sobretudo porque estava a passar uma fase complicada a nível profissional e pessoal, a impossibilidade de comprar coisas novas fez-me sentir desleixada, desinteressante, como se tivesse desistido de cuidar de mim e da minha imagem


É apenas uma questão de mentalidade e habituação?


Várias vezes me passou pela cabeça que, se estivesse em qualquer outro sítio do mundo onde comprar roupa não é de todo uma preocupação, muito provavelmente não me sentiria assim. Se estivesse, por exemplo, a fazer voluntariado numa comunidade pobre, queria lá saber se tinha sapatos que combinassem com o resto! Mas não estava: continuei no mesmo sítio, rodeada pelas mesmas pessoas e com esse pensamento constante de que era menos que os outros e menos do que era há pouco tempo atrás. 

Neste caso também percebi que, por pouco influenciável que me considere, o facto de estar em baixo tornou-me mais vulnerável a comparações: ver toda a gente à minha volta a comprar coisas novas e eu sem poder fazer o mesmo deixou-me angustiada. Ainda que algumas peças tivessem sido compradas no ano anterior, tinha a sensação de que, no geral, as minhas roupas tinham envelhecido anos, que estavam desactualizadas, gastas, desinteressantes e que eu só as vestia porque, de facto, não tinha outra alternativa.

Sim, tentei mentalizar-me do contrário, tentei animar-me com a ideia de que existem coisas mais importantes, convencer-me de que estava a ser fútil mas, naquele momento, e devido à privação que não planeei, a minha imagem era a minha principal preocupação. A sensação assemelha-se à de quando estamos a fazer uma dieta por obrigação: de repente, o que os outros comem parece muito mais apetitoso e só queremos poder comer o mesmo.


O lado positivo da experiência


Felizmente, 2 meses depois esta abstinência chegou ao fim. E quando percebi que finalmente as contas tinham estabilizado e que voltava a ter algum dinheiro extra para comprar o que quisesse, foi como voltar a um vício - mas em pior! Não parava de ver sites de roupa, queria ir ao shopping todos os dias, fazia listas mentais do que queria comprar, dar 90€ por um bikini já não parecia um exagero, inventava coisas de que precisava... estava, de facto, a ter uma recaída no consumismo.

Lá fiz a vontade a mim mesma, comprando uma série de artigos e isso fez-me sentir mais relaxada. Mas logo depois percebi: este comportamento era uma tentativa inconsciente de tentar compensar a minha experiência negativa dos meses anteriores. Eu não precisava realmente de todas aquelas coisas - na verdade até se tornaram menos interessantes depois de as ter - então fiz o que qualquer pessoa racional faria: devolvi a maioria dos artigos.

Não me custou e, agora que penso neles, não voltaria comprá-los. Há, inclusivamente, coisas que preciso comprar e que posso comprar, mas não me apetece, neste momento, gastar dinheiro nelas.

Quem diria? Parece que, apesar de dura, a experiência parece ter-me curado! Mantenho-me firme na minha decisão de ponderar bem as compras supérfluas, já não me sinto influenciável como sentia, e parece mesmo que tudo voltou à sua ordem natural.  Será que é para durar?

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