reflexão | ÚLTIMA HORA: Não se pode agradar a todos

by - domingo, janeiro 10, 2016


Sara Silva, uma jovem curiosa do distrito de Leiria, passou os últimos 23 anos dedicada ao estudo metafísico do "Ninguém Quer Saber". Não se pode agradar a todos é a conclusão a que chegou no passado dia passado, comprovando assim que essa máxima não é apenas mais uma frase-feita que circula na internet.

Desta é que não estavam à espera, certo? Eu sei, nem parece que estudei Comunicação Social.
Este post não é dirigido às raparigas de personalidade forte, que sempre disseram e fizeram aquilo que queriam sem se importar com o que os outros iam achar. Essas raparigas têm a minha admiração, já que passei parte da minha vida a sentir-me uma equilibrista, esforçando-me para não dar o passo errado na consideração das pessoas à minha volta. E digo-vos: é tão cansativo!

Eu era [e estaria a ser hipócrita se não admitisse que ainda sou um pouco] aquele tipo de pessoa que nem ao pior inimigo quer deixar uma má impressão. Nem a estranhos. Mas que porra, porque é que eu haveria de estar preocupada em não causar uma má impressão a pessoas que não me são nada?! Bem, nunca se sabe se não virão a ser, ou se não são alguém a quem vale a pena causar boa impressão... - este é o tipo de bipolaridade que me tem acompanhado demasiado tempo e que me tem impedido de construir opiniões e personalidade fortes. [mais alguém?]

Não consigo explicar a necessidade que sentia em ter a aprovação de todas as pessoas com quem me cruzava ou, pelo menos, não ter a sua desaprovação. Nunca me revi na máxima "Falem bem ou mal, o que interessa é que falem de mim", achava-a simplesmente presunçosa. Por essa e outras razões, sempre procurei equilíbrio entre adjectivos contraditórios: correcta e rebelde, convencida e humilde, revoltada e calma,  obcecada e descontraída... (umas vezes com mais sucesso que outras), e foi muito curioso quando, uma pessoa de quem me tornei próxima, me confessou que a primeira impressão que teve minha foi que eu era uma snob. E isso voltou a acontecer com outras pessoas.

O que é que isto significa? Será que estava tão preocupada em agradar a todos que estava a perder a sensibilidade? Que estava a viver por detrás de uma figura que não era real?

Não me interpretem mal [damn, está a acontecer outra vez!]: não é que eu tenha sido uma falsa a minha vida toda, simplesmente não fui transparente com pessoas com quem não me sentia à vontade [ok, nisto eu posso admitir que ainda sou assim]. Poucas pessoas me conhecem como realmente sou, porque acho que não iriam aguentar a complexidade que eu sou. É mais fácil manter-me controlada e não dar azo a interpretações erradas, do que dar uma de extrovertida no-one-cares. Mas a questão é essa: ao final do dia, quem é que quer saber do que eu disse ou fiz? Desde que não ofenda ninguém, não haverá problema #notamental

Para minha surpresa, pouco a pouco tenho-me sentido menos tensa em relação a todas estas questões [bem, com excepção daquelas alturas traiçoeiras do mês]. Não sei se é da idade, se é do consequente ganho de confiança, se é do sentido de independência, do desprezo pelas pessoas em geral [evito pensar que seja isso], mas cada vez me preocupo menos com o que vão achar de mim. Eu sou assim, não creio que seja uma má versão de ninguém e acho que ninguém ficará ofendido se eu for eu própria. Tenho esse direito, certo?


Demasiada informação para um post só? Bem-vindas à minha cabeça! Admiro-vos se leram tudo até aqui, na verdade este foi mais um exercício de reflexão para mim própria do que um post ao estilo "olhem para mim, sou uma pessoal real com inseguranças reais!". Mas não pensem que não estou agradecida: é bom saber que tenho alguém desse lado que me acompanha mesmo nos devaneios bipolares e explosões de escrita. Obrigada 

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18 comentários

  1. podia ter sido assinado por mim, sem tirar nem pôr!

    Aqui está uma parte do que eu escrevi há uns tempos (desculpa estar em ingles)
    "I've been raised to believe that it do not matter what other people thinks about me or what I do, assuming that I am OK with my decisions.
    But my conscience (here she goes, again!), doesn't believe in the same values. It is hard to me to act, talk or do something without analyse before, or right next, the question "what will they think about me?!"


    I am a very shy person, I've been more, I can't prescind myself of that question!

    I feel constantly the need to please everyone. My boyfriend says that I am complicated!, maybe I am,
    but I can't help it..

    I envy those who seems so carefree, those who talks about everything, with everyone. It seems so easy!

    Secretly I hope that, deep down, they feel just like me sometimes.."

    Portanto, i get you, nao estas sozinha! ;)

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    1. obrigada por partilhares esse texto comigo, Cláudia ♡
      Também me identifiquei com as tuas palavras e, já agora, acho que expressas muito bem em inglês! Também acho que nos teríamos dado muito bem lá na escola se tivéssemos passado mais tempo juntas :)

      Obrigada por continuares a vir cá e deixar esses comentários que me deixam feliz :)

      Beijinhos!

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    2. Sim, também acho que sim! Mas na escola nem sempre tomamos as melhores decisões..

      Continuo sempre ansiosa por um novo post teu, gosto muito de te ler, obrigada por continuares por cá ;)

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    3. Sim, também acho que sim! Mas na escola nem sempre tomamos as melhores decisões..

      Continuo sempre ansiosa por um novo post teu, gosto muito de te ler, obrigada por continuares por cá ;)

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  2. Aprendi com o passar dos anos essa grande verdade que escreveste, é impossível agradar a todos. Por essa razão, faço as coisas como eu quero e como acho que devo fazer!!
    Um grande beijinho, linda! :)
    ______________________________
    www.focusonmeblog.blogspot.com

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    1. Acho que é mesmo uma coisa com a qual se aprende a lidar ao longo dos anos :)
      Beijinhos e obrigada pelo seu comentário!

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  3. É, eu também sou um pouco assim, mas acho que nunca foi muita na tentativa de agradar a toda a gente. Não sei bem qual foi o motivo mas só fui deixando que muito poucas pessoas me conhecessem verdadeiramente, e hoje não vejo isso com muito bons olhos.

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/,

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    1. Li isso há pouco tempo no teu blog (nas resoluções de Ano Novo, talvez?) e acho que vale a pena fazeres um esforço para mudares. Tenho a certeza que és uma rapariga que vale a pena conhecer melhor! :)

      beijinhos *

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  4. somos duas no mesmo barco! eu também debato me imenso com o "julgamento" das pessoas... felizmente crescer faz bem e eu pouco a pouco tenho aprendido a mentalizar me para o facto de que no final do dia o que importa é o que eu acho, o meu "juizo" a minha opinião. Eu tenho de viver comigo para o resto da minha vinda, portanto tenho de estar em paz comigo mesma e aprender a desvalorizar o "juizo" das outras pessoas, que seja bom ou mau. Gostei do post, identifiquei me e gostei da sinceridade porra! hehehe

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    1. Gostei muito de ter o teu comentário, Tânia! Tens razão quando dizes que é connosco que temos de estar em paz, acho que é o mais importante :)
      Beijinhos e obrigada!

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  5. Estou deste lado e li tudo até ao fim 😊

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    1. oh, obrigada Bárbara! :D
      és das visitantes mais antigas e assíduas, não em esqueço de ti :D

      beijinhos *

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  6. Tens sempre muita gente a ler-te com muita atenção. E não tens nada que agradar a toda a gente. A par de que é impossível, não teria piada nenhuma!

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    1. às vezes acho que as pessoas não têm paciência para os meus textos longos, ahahah :p
      tens razão! e a partir daqui para a frente vou trabalhar nisso :)
      beijinhos *

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  7. Adorei este poste!

    E acredita que também eu passei por esse batalha.
    Cheguei à mesma conclusão.
    E o passo que se segue sabe muito bem. Há situações em que só mandando alguém à ova. Às vezes nem isso. Deixei que fugir de confrontações e prefiro ser transparente: gostem ou não. Felizmente com o tempo as pessoas em meu redor acabam por compreender que é melhor conhecerem-se assim, como sou (e temos sim esse direito!), do que uma versão qualquer que não é real. :)

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    1. Um comentário escrito à pressa de madrugada só podia dar em erros! É do cansaço :)

      Boa noite!

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  8. A verdade é que também sou assim, fiz muita coisa que não queria para agradar a outras pessoas, mas sim a idade tem dessas coisas e a gente vai crescendo e aprendendo. Confesso que não vou nessa do who-cares, acho que se vivemos em sociedade e temos de funcionar em grupo, temos de ser responsáveis pelos nossos atos e pelo que dizemos, mas não temos de agradar a todos, e às vezes temos de ser desequilibradas, a vida é assim mesmo, para nos mantermos fiéis a nós mesmos, às vezes temos de mandar os outros p'ó raio que os parta... Na verdade o que tenho aprendido é que tentar evitar conflitos só acaba por gerar outros bem piores. Vamos ser sensíveis e responsáveis, mas dizer o que tem de ser dito, mesmo que não lhes agrade...

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