reflexão | As pessoas não nos pertencem

27.10.14 SARA SILVA 6 Comments

Já o João Pedro Pais cantava "ninguém é de ninguém mesmo quando se ama alguém", quem não se lembra? Ele não tem muito a ver com esta reflexão, apenas esse verso da música, que não me sai da cabeça.


Recentemente tenho-me deparado com o desapego, ou abandono, como lhe quiserem chamar. Várias pessoas à minha volta têm terminado os seus relacionamentos amorosos e outras tantas decidiram emigrar ou estão a pensar nisso. Para todas elas é uma grande fase de mudança, de deixar para trás a realidade que conheciam e que lhes era tão confortável. Mas as mudanças são necessárias e inevitáveis.

É impossível para mim assistir a este padrão e ficar indiferente. Faz-me aperceber cada vez mais que, de facto, as pessoas não nos pertencem, por muito que as amemos. 

Acredito que todas as pessoas entram na nossa vida por uma razão, porque têm algo para nos ensinar, e saem quando já não há mais nada a aprender com elas, quando está na hora de seguirmos em frente. Pensar assim faz-me interpretar a vida de uma forma minimamente lógica e conforta-me quando sinto saudades das pessoas que já não fazem parte da minha ou que estão longe.

Cada pessoa é um mundo, encerra em si uma forma de pensar, sentir e reagir próprias, por muitas que sejam as semelhanças entre nós. E quando elas decidem afastar-se, seguir outro rumo e lidar com novas experiências, decisões essas que nos afectam, por muito que nos custe, que queiramos protestar, gritar, convencê-las do contrário e dizer "Não! Vais fazer como eu digo porque eu não quero isso para mim!", não vale de nada. Se muitas vezes nem a nossa própria vida conseguimos controlar, é inútil tentar controlar a dos outros. Não temos esse poder nem esse direito.

E então ficamos a assistir ao desmoronamento de tudo, ou de pelo menos uma boa parte, do que construímos com essas pessoas até aqui. Sentimo-nos vazios, traídos, fracos e, perante a incapacidade de lutar contra a situação, revoltados. Porque não sabemos lidar com isto, fomos ensinamos a ir à luta, a dar o tudo por tudo, a sair vencedores e, de repente, tudo o que poderíamos usar como argumento não é suficiente e não funciona. Percebemos as nossas limitações, onde acaba o nosso "querer" e começa o dos outros, o que só a eles lhes pertence. 

Não há muito que possamos fazer. Claro que podemos mostrar o nosso desagrado, temos direito a ficar magoados e a sofrer, mas as outras pessoas acabarão sempre por fazer o que acham melhor para si - e se assim não for, são elas quem acaba por sofrer. Quando a separação acontece, restam-nos as memórias e a crença de que tudo um dia se irá resolver, de uma maneira ou de outra.


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6 comentários:

Susie disse...

Tiraste-me todas as palavras da boca Sara, nem sei o que dizer. Foste mesmo ao ponto. :s

Sara Silva disse...

espero que tudo se resolva, Susie! ❤

Joana Catarino disse...

Ainda assim há quem não encare uma mudança dessa forma e se torne possessivo para com o outro. Vejo muito isso. E por vezes, o que queremos é mesmo isso. Abanar o outro e mostrar que nós sim somos os donos da razão, apesar de agirmos de impulso com o coração.
Às vezes o melhor é mesmo deixarmos o outro ir.

Bia Fernandes disse...

Às vezes, quase sempre, a melhor solução é mesmo deixar ir, abrir mão... Custa, dói, e dói por muito tempo mas vai passar e a vida tem atrás de tantas tempestades dias de sol tão maravilhosos... :)
Gostei muito do teu blog .

Ânia Morouço disse...

Não podia dizer melhor, eu quero ter sempre tudo no controlo, mas por vezes temos mesmo de abrir mão...

Lino Silva disse...

A vida é assim mesmo, feita de mudanças. Umas melhores, outras piores, mas jamais deveremos de deixar de mudar algo. Custam certas mudanças? É verdade que custam! Custa deixar muito do que construímos, família, amigos...mas é assim a vida. Por vezes paramos e olhamos para trás e é ai que bate a saudade, mas nem sempre é possível abrir uma porta sem primeiro fechar uma outra. O importante é sentirmos que valeu a pena o sacrifício e valorizarmos tudo do bom a que vida nos dá.
Sei de que fibra és feita e que vais conseguir ir em frente, apesar dos maus momentos (que todos nós temos) e um dia vais olhar para trás e vais dizer...valeu a pena passar por tudo o que passei, para chegar onde cheguei! :)

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