erasmus | Amor e saudade

14.10.12 SARA SILVA 9 Comments

A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande.
Roger Bussy-Rabutin

No momento em que me inscrevi para fazer Erasmus, ainda não me tinha decidido. Estava consciente de que a experiência iria mudar muita coisa na minha vida, não sabia até que ponto, e nem se estava preparada para isso.  Toda a gente à minha volta me apoiou, mas havia uma, cuja opinião mais importa, que me fazia hesitar por não se mostrar de acordo.

Nessa altura o meu relacionamento durava já há 2 anos e alguns meses, e estava sólido. Ao longo desse tempo já tínhamos passado por vários episódios menos bons que serviram apenas para nos fortalecer ainda mais, mas nenhum deles se comparava ao facto de podermos vir a estar estar cinco meses afastados. Ele não se conformava e achava que eu estava a ser muito egoísta. Eu concordava mas, por outro lado, sentia que precisava disto: precisava de sair, de mudar de ares, de conhecer outros sítios, outras pessoas, outros costumes. E não iria abdicar do que já tinha conquistado por causa desta oportunidade, sabia que, neste caso, podia ter ambas as coisas se me esforçasse. Não significa que tenha posto o Erasmus à frente da minha relação, apenas escolhi as duas.

Hoje, já cá estou há um mês. Parece ainda ser cedo para tirar conclusões, mas eu acho que, com base no que tem acontecido, consigo ter uma previsão real dos próximos tempos. E é uma óptima previsão!
Tal como me disseram previamente, esta minha experiência serve, também, para pôr à prova o meu relacionamento. É o chamado tudo ou nada. E, sem dúvida, que é mesmo assim.
Há dias em que a saudade aperta mais que nunca e que o skype, apesar de ajudar a aguentar, não substitui a presença. Mas basta vê-lo e falar com ele alguns minutos para saber que tudo continua igual, tudo continua bem.
Acredito que a nossa relação está mais fortalecida que nunca, que nada nem ninguém se poderá intrometer. Sei que, por mais pessoas que conheça, ninguém será bom o suficiente, ninguém me conhecerá nem compreenderá tão bem e que ninguém, jamais, me fará sentir como ele faz.

para o meu amor 

Posts relacionados

9 comentários:

Fico contente por ti (:

D.Pereira disse...

Acho que a mentalidade que andas a ter agora é a melhor que poderias ter, ver isto como o desafio mas que fortalece a tua relação... afinal de contas tudo o que é mau têm um lado bom e é aqui que se encontra a saudade... é dolorosa de sentir, mas torna especial cada regresso e faz-nos perceber o quanto gostamos de alguém... eu no verão tive sem o meu M. durante um mês porque ele teve embarcado... e foi doloroso... e sei que vais ter que ficar sem o teu menino ... mas espero que continues assim... cheia de determinação e que consigas manter as duas coisas que tão importantes são para ti!

WOW acho que o teu namorado deve ter adorado o texto. Parabéns querida, vocês vão aguentar esses cinco meses e a vossa relação vai ficar cada vez mais forte.*

Sara Silva disse...

obrigada, Luísa! :)

Sara Silva disse...

que belas palavras, Daniela! :)
eu sei que provavelmente há gente a pensar que sou uma má namorada ao ter escolhido vir, mas se eu vim, sabendo dos riscos que corria, é porque acho que as coisas podem resultar.
e sim, as ausências custam a passar mas se conseguirmos aguentar, acho que tudo compensa :D

Sara Silva disse...

eu acredito que sim :)
obrigada querida *

Carolina disse...

As saudades devem ser a pior parte não? :/

Anónimo disse...

Não quero ser pessimista, nem induzir ao pessimismo. Procuro antes uma análise fria e imparcial da situação. Como está a reagir o teu namorado à situação?
Quem te escreve é um namorado precisamente na mesma situação do teu namorado, numa relação de 2 anos, mas necessariamente pessoas diferentes. E por sermos todos diferentes uns dos outros, com diferentes gostos, estilos, perceções da realidade, sentimos também de maneiras diferentes. A minha namorada está na mesma situação em que tu estiveste, e como é normal, apesar de ela querer ir, eu simplesmente não aguento estar tanto tempo sem ela.
Nem aguento nem consigo compreender esse anseio em querer colocar em risco uma relação, por esse anseio tremendo em querer conhecer pessoas novas, culturas novas, a somar a um currículo moderno (porque não lhe posso chamar currículo completo, porque não garante trabalho, é apenas um enfeite que indirectamente atesta ao empregador uma sujeição de qualquer tipo para trabalhar em qualquer parte do mundo).
Quanto mais penso, mais ódio ganho ao assunto, e acredita que já pensei bastante.
Ainda assim, dou os parabéns ao teu namorado por conseguir o que eu não consigo; dou-te a ti por teres conseguido manter ambas as coisas; dou aos dois por se esforçarem.
Talvez seja fraco, e essa é a resposta cabal para todas as minhas dúvidas.
Gostaria de saber o desfecho desta aventura e o teu feedback às minhas dúvidas, corra bem ou mal, conto com a sinceridade que é própria de quem escreve.

Sara Silva disse...

Olá Anónimo :)

Não deves ter reparado mas escrevi este post em 2012. Depois do Erasmus muita coisa aconteceu, inclusivamente senti que o meu relacionamento se tornou mais forte, tanto que hoje estamos a viver juntos há já quase 2 anos! Concordamos que o meu Erasmus foi difícil por causa das saudades, mas eu sinto que valeu a pena e nesse momento da minha vida eu precisava de um escape a problemas familiares. Acredito que os Erasmus é fácil de ultrapassar se houver amor, paciência e respeito. Se a tua namorada está assim tão convicta em ir, não tens o direito de a impedir mesmo sendo namorado dela. Deves apoiar e dar o meu melhor para ela sentir que continuas presente, porque não lhe fazes uma visita quando ela lá estiver?

Espero ter ajudado e boa sorte! :)
Beijinhos *

Obrigada pelo teu comentário ♡
{activa a opção 'Notificar-me' para saberes quando respondi}