reflexão | Dramatismos e ansiedades de (quase) duas décadas de existência

by - sexta-feira, abril 13, 2012

Ontem duas pessoas chamaram-me a atenção para o facto de no próximo mês ser o meu aniversário. Claro que eu sei quando faço anos, mas ainda não tinha interiorizado que já falta tão pouco tempo! Daqui a 4 semanas já terei 20 anos e isto deixa-me a pensar seriamente no meu percurso de vida até agora...

Eu sou uma pessoa preocupada com as decisões que tomo na vida, porque não quero um dia olhar para trás e arrepender-me de muitas delas, e isto gera uma certa ansiedade pelo querer que as coisas que faço e vivo, valham a pena. Neste momento, com quase duas décadas de existência (e um visível dramatismo sobre o assunto, o qual eu não consigo evitar) chego à conclusão que ainda não fiz nada de muito marcante na vida! Isto é, posso resumir o meu percurso como monótono, porque basicamente a minha vida tem-se resumido à escola. Pronto, claro que estou a exagerar porque não sou nenhuma nerd que sai da escola e passa o resto do tempo em casa a estudar, sem ter contacto com outras pessoas ou experiências mas, por outro lado, acho que não há nada que se destaque como eu gostaria que tivesse acontecido, simplesmente tenho tido uma vida "normal" e é isso que me deixa inquieta. 
Para mim, ter 20 anos não significa propriamente ter 2 anos a mais que 18 (que é aquela idade em que supostamente já nos tornamos adultas), mas sim 10 anos a menos que 30. Aos 30 eu já quero ter a minha vida estabilizada: ter uma casa, um bom emprego e começar a planear todos os aspectos familiares, nomeadamente ter filhos (...) e, neste momento, sinto que ainda não fiz propriamente nada para proporcionar essa vida a mim própria! Sim, estou a fazer o que é suposto fazer-se com esta idade: prosseguir com os estudos para ter melhores condições profissionais no futuro, mas nada me garante que este seja o melhor caminho a seguir. E, com isto, é inevitável pensar nas muitas coisas que já podia ter feito ou estar a fazer, como, por exemplo, ter começado a trabalhar numa empresa, construindo a minha subida na carreira, ou ter feito montes de formações em diversas áreas e línguas, ter-me dedicado a uma actividade extra-curricular (desporto, pintura...) na qual estivesse a ter muito sucesso e me desse muito gozo, ter feito viagens que tivessem contribuído para o meu desenvolvimento pessoal... por aí. Mas, por outro lado, a maioria dos jovens com a minha idade não fez/tem estado a fazer coisas dessas, têm tido simplesmente uma vida "normal" como a minha, porque a regra é que, de certa forma, até aos 20 anos não se faz nada de especial ou marcante na vida: não casamos, não somos promovidos no trabalho, não vamos viver para a nossa própria casa, enfim, vivemos simplesmente a investir no nosso futuro através dos estudos. Eu sei que as coisas com esta idade são assim, mas é a ansiedade face ao futuro que me faz pensar em tudo isto, porque nada me garante que com a minha licenciatura eu daqui a uns anos não esteja também no desemprego, o que vai implicar um atraso em todos os meus objectivos de vida e, consequentemente, um sentimento de fracasso.

imagem digitalizada da revista
Parece ridículo, mas toda esta minha reflexão (que eu já tinha feito noutras alturas) foi desencadeada, desta vez, quando eu estava a ler numa revista, uma publicidade à iniciativa "Extreme Makeover Zero Dilemas" da Garnier Nutrisse Mousse (óptima iniciativa, já agora!), a qual tem como parceira a Ana Garcia Martins, da qual aparecia uma fotografia acompanhada de um pequeno texto no qual se lê: "Ana Garcia Martins, mais conhecida pela "Pipoca Mais Doce" é jornalista, consultora de moda e uma das mais influentes bloggers portuguesas." (esqueceram-se também do facto de ela ser escritora - pronto, mais ou menos!). E sim, foi por causa desse pequeníssimo texto que este turbilhão de pensamentos voltou a surgir na minha cabeça. Em primeiro lugar, centrei-me no facto de ela ser jornalista e de eu estar num curso que tem principalmente saída para essa área, mas a qual nunca me suscitou muito interesse. Por outro lado, ela é também consultora de moda, e isso chamou-me a atenção para o facto de todos nós, na nossa vida, não termos de nos limitar a apenas uma área de trabalho. E eu pensei: "Eu vou querer ser assim quando tiver a idade dela: cheia de projectos e a trabalhar em áreas diferentes e de que gosto! E de certeza que aí sim, me sentirei realizada pessoal e profissionalmente!". Mas é aqui que começa o meu dilema e interrogo-me se tenho estado a preparar a minha vida de forma correcta para um dia poder sentir isso ou se, por outro lado, simplesmente tenho de deixar as coisas fluir e, um dia, quando as oportunidades aparecerem, só tenho de as agarrar? O futuro constrói-se, é certo, mas até que ponto ele não depende também do factor "sorte"? Será que a Ana Garcia Martins planeou toda a sua vida para chegar onde está agora, ou simplesmente construiu as bases e deixou que as coisas acontecessem por si?

Enfim, este é um tema que não tem fim para mim: podia continuar aqui a escrever, a questionar tudo, e nunca chegaria a nenhuma conclusão definitiva. No fundo, eu estou apenas preocupada com o que tenho feito e estou a fazer na minha vida. Eu quero que valha a pena! E, por vezes, sinto que o tempo passa por mim e que, com ele, passaram também as oportunidades que me levariam a onde quero chegar... ou será que simplesmente estou a exagerar e que ainda não chegou o momento de me preocupar com isso? Bem, vou mas é ficar-me por aqui, senão amanhã ainda aqui estarei a escrever o post!

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7 comentários

  1. Sinto-me completamente identificada.:)

    danie

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  2. Percebo perfeitamente o que escreves... Os sonhos e interesses são muitos, e é bom quando não nos limitamos a apenas uma área :)

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  3. como te compreendo :c
    Já perdi imensas noites a pensar no dito "futuro", até que decidi viver um dia de cada vez, pq não me adianta de nada perder noites e noites a pensar no que irei fazer.

    Assim como tu (como percebi pelo teu post) sou bastante perfeccionista e penso em construir uma vida e não "ficar para sempre" em casa dos meus pais...
    É claro que tenho orgulho no que alcancei até hoje e acima de tudo, tenho orgulho em mim, mas sinto'me descontente porque gostaria de "ter mais"... :s
    No entanto, quando comparo a "minha vida" com a de amigos e colegas vejo que a minha é muito mais organizada e concretizada (havendo também os casos opostos , mas são mais raros).

    Desculpa o BIG comment... deixei-me levar :b
    Beijinho.

    P.S: gosto imenso do teu blog e dos teus posts... consegues transmitir realmente o que sentes através da escrita (i think), adoro!

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  4. @Letra D, @Carolina e @Macy: bem, em primeiro lugar parabéns por terem lido o post! ahah, quando o publiquei é que percebi o quanto extenso é.

    Este é um assunto sobre o qual penso muitas vezes e às vezes acho que me preocupo demais com ele, mas fiquei contente por saber que não sou a única a pensar nisto :)

    @Macy:não te preocupes com a dimensão do comentário, eu até gosto, ahah. sim, eu também sou perfeccionista e tenho alguns objectivos bem definidos para o meu futuro mas, tal como tu, quando me comparo a alguns colegas, também sinto que já fiz mais que eles.
    Obrigada pelo elogio, tenho andado a trabalhar nisso, de fazer transparecer mais de mim nos posts ;)
    beijinhos *

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  5. eu tb pensava muito assim acho eu, mas sempre pensei demasiado pra frente do que devia pensar. acho que o que e mesmo importante e sentires que tens vivido, e que o tens feito a tua maneira, com significado para ti, o resto logo vira.
    mas concordo que e importante ter objectivos e que se lute e se faca planos para os ter.
    Um dia disse: quero ir morar sozinha, e meses depois fui, depois meti na cabeca q queria ter casa propria, foi um entalo mas tb tive.
    mas ainda hoje acho que nao fiz nada de grandioso, mas pelo menos sinto-me feliz com os pequenos passos que dei e com o que conquistei ate hoje :)

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  6. Também senti esse dramatismo todo há uns meses, quando fiz 20 anos...Ás vezes é um bocado frustrante olharmos para trás e ver que o que fizemos não foi assim grande coisa e, embora tenhamos sonhos e projectos, parece que nunca os conseguimos realmente pôr em prática. Mas também já "assentei" a cabeça e acho que os 20 podem ser uma idade para estas reflexões e para fazermos planos e pensar na vida. E é claro que vamos conseguir fazer coisas marcantes na nossa vida e deixar a nossa marca. Eu acredito que sim! Não desesperes, vai tudo correr bem :D
    Beijinho*

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  7. oh minha querida, penso que nunca tinha lido um post com que me identificasse tanto como me identifiquei com este...

    Tal como tu estou bastante próxima dos vinte anos e cada vez mais tenho tendência para fazer um balanço de tudo o que já passou... Foi tanta coisa, boa e má, coisas normais outras nem tanto mas nada que possa destacar como sendo o momento mais alto da minha vida....

    Quando penso no futuro sinto uma angústia porque sempre imaginei um futuro risonho para mim (como todas nós imaginamos) e apercebo-me que pouco ou nada fiz para que essa seja a minha realidade daqui a poucos anos... Por outro lado questiono-me se as minhas escolhas foram as corretas... Não sei a resposta a esta questão, só daqui a alguns anos saberei -.-'

    Enfim, acho que nos dias de hoje qualquer jovem minimamente consciente tem várias questões para as quais gostaria de encontrar respostas ...

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