pessoal | ''Estás desempregada, tens muito tempo livre''


Há umas semanas contei-vos como andava a minha vida profissional e a decisão de sair daquela empresa, mesmo não tendo nada em vista. Claro que, apesar de arriscada, não foi uma decisão que eu tivesse tomado de ânimo leve, sobretudo quando tenho casa própria e contas para pagar todos os meses. Tive muito apoio da parte do Zé, que me aconselhou a sair de lá antes que as coisas piorassem e insistia que, mesmo que eu não arranjasse um emprego logo, tudo se ia resolver. Continuar lá não dava mesmo mais para mim e junho seria o mês indicado para me vir embora.

Ficar desempregada no início do verão pode parecer idílico para muitas pessoas, pois agora [supostamente] posso desfrutar de dias inteiros na praia. "Estás desempregada, tens muito tempo livre", disseram-me. E, mesmo que não tivesse sido com maldade, fez-me pensar. 
De facto, a ideia generalizada que nós (eu incluída) temos dos desempregados coincide com aquele estereótipo de pessoa que vai vivendo um dia de cada vez, acomodada com a sua situação, desmotivada e sem grandes perspectivas para o futuro. Óbvio que não será o caso de toda a gente, mas penso que seja muito esta a forma de encarar o desemprego.

Pessoalmente é uma forma de viver com a qual não me identifico de todo, sobretudo quando tenho energia, vontade de trabalhar e ainda agora comecei. O meu maior receio era mesmo ficar parada em casa e, dia após dia, começar a desleixar-me em relação a tudo: objetivos a curto e médio prazo, rotina, procura de emprego, com a minha própria imagem... por isso, algum tempo antes de deixar a empresa, comecei a definir uma estratégia para os tempos incertos que se seguiam:

• Comecei a enviar candidaturas cerca de duas semanas antes de deixar o meu actual trabalho, para começar desde logo a ser chamada para entrevistas e saber com o que podia ou não contar em termos de oferta de emprego:
• Uma semana antes de sair inscrevi-me em todas as empresas de trabalho temporário da zona, de forma a ser chamada para trabalhos pontuais enquanto não encontrasse um novo emprego;
• Recomecei a vender Yves Rocher para me motivar com objetivos de venda, manter-me ocupada e ganhar algum dinheiro extra;
• Até início de agosto/setembro não me iria comprometer com nenhum trabalho fora da minha área e que não fosse temporário, dado que vou de férias em julho (não posso mesmo desmarcar), e para continuar disponível para entrevistas de emprego.
Como planos que são, podiam resultar ou não, mas eu queria mesmo garantir que não ia ficar parada em casa à espera que as coisas acontecessem sozinhas!

Já se passaram quase 2 semanas desde o meu último dia na empresa onde trabalhava e, ao contrário do que alguns familiares e amigos meus pensaram, estou desempregada mas não estou desocupada! Felizmente a minha estratégia tem vindo a dar frutos e tenho ido a algumas entrevistas de emprego, tenho feito trabalhos de promoção, tendo vendido Yves Rocher, tudo isto ao mesmo tempo que continuo a enviar candidaturas e a aproveitar algum tempo livre a procrastinar, que tão bem me faz depois de meses tão agitados.

Percebi que, tão ou mais importante que ir ganhando algum dinheiro até conseguir um novo emprego estável, é estar ocupada e afastar pensamentos negativos e autodestrutivos que insistem em aparecer nestes períodos de mudança e instabilidade. Sim, naquela empresa eu tinha um trabalho fixo que troquei pelo incerto, mas vou fazer de tudo para que valha a pena!

Ainda não sei quando voltarei e ter um emprego na área, a minha data-limite é mesmo agosto/setembro. Se até lá não se concretizar, volto a adaptar a minha estratégia! 😃

pessoal | Eu sou uma pessoa de gatos... mas abri uma exceção à Peppa



Lembram-se do Filó? Eu sempre tive gatos, mas ele foi especial. Além de ser um gato de casa e receber todos os mimos e cuidados, acompanhou-me ao longo de 9 anos e são muitas as memórias que guardo dele. Por isso, quando no ano passado adoeceu e acabou mesmo por não aguentar mais, senti um vazio enorme, mesmo tendo o Mico para atenuar a perda.

Os meses passaram, aprendi a lidar com a falta do Filó, mas ter apenas um animal já não era suficiente para mim. E comecei a amadurecer a ideia de experimentar "o outro lado": adoptar um cão.
Em casa dos meus pais cheguei a ter cães mas, sobretudo porque viviam apenas no jardim e eu sou muito caseira, nunca senti uma ligação muito forte com eles - e animal meu tem de viver dentro de casa comigo.

Contei ao Zé a minha ideia e, ao longos dos meses seguintes, fomos pensando em conjunto no assunto, discutindo prós e contras e preparando as condições necessárias - uma delas foi fechar o quintal, para que o nosso futuro cão pudesse sair de casa sem perigo. Não queríamos comprar um cão, sobretudo quando há tantos em canis e etc à espera de um lar, e eu só tinha dois critérios: teria de ser de porte pequeno e de pêlo curto.

Certo dia em Fevereiro combinámos os dois ir conhecer uma cadelinha de três meses branca e preta, a fazer lembrar um dálmata, que eu tinha visto no Facebook que estava para adopção - a ideia era só conhecê-la e falar sobre a adopção, mas ambos sabíamos que, de certa forma, já estávamos a comprometer-nos com levá-la para casa. Chegados à clínica veterinária onde ela estava (vinda de um canil que já tinha excedido a capacidade máxima), reparámos que, na mesma "gaiola" estava uma amiguinha também para adopção. O Zé ficou a preferir essa segunda cadelinha, preta e castanha mas, como eu continuava a preferir a primeira, a enfermeira sugeriu que pegássemos nas duas, à vez, para nos decidirmos. A cadelinha malhada não reagiu a nenhum dos nossos colos, ficou simplesmente imóvel (o que me desiludiu um bocado...), mas a sua companheira, assim que foi para o colo do Zé (depois de não ter ligado nenhuma ao meu) começou a lambê-lo sem parar: pescoço, mãos, cara...! A decisão estava à vista e eu deixei o Zé escolhê-la - ou teria sido ela a escolhê-lo? - ainda que a previsão de crescimento dela não fosse de porte pequeno mas sim de médio, por volta dos 10kg. Seguiu-se o processo de adopção responsável, obrigatório para ficar com ela, que consiste em administrar-lhe as primeiras vacinas (contra a Esgana, Hepatite, Leptospirose, Parvovirose e Tosse de Canil), desparasitar, implantar o chip de identificação e assinar uma declaração em como nos comprometemos a ser responsáveis por ela, em tudo o que isso implica.


As semanas seguintes foram complicadas com tudo o que seria de esperar: o Mico a evitá-la e a soprar-lhe, ela a fazer xixi e cocó onde não devia, a brincar com o que não podia, a querer morder tudo... houve pelo meio alguns episódios engraçados (que na altura não tiveram piada...), muitos vídeos de dicas vistos no Youtube e tantas outras aventuras que não cabem neste post - o que acham de um à parte a contar-vos tudo isto, e com dicas que funcionaram connosco? E, apesar de ter sido eu a insistir para adoptarmos um cão, com todas estas dificuldades comecei a achar que ela simplesmente não era cadela para estar dentro de casa - eu ainda não sei muito sobre cães, mas sei que há cães que são mais de companhia que outros, e talvez ela de facto não fosse como eu tinha imaginado - por outro lado, partia-me o coração pensar em deixá-la no quintal, sobretudo numa altura em que ainda chovia e fazia frio.


O tempo foi passando e a Peppa - nome que escolhemos 2 ou 3 dias depois de a termos adoptado - lá aprendeu a ficar quieta quando a mandávamos parar, que os chinelos não eram para brincar, que as necessidades são para se fazer na rua e outras coisas que ainda estamos a tentar ensinar-lhe (sobretudo a não encher o Mico de baba, porque ele não é um brinquedo!). E, neste processo todo, o que me custou mais (além de estar constantemente a lavar o chão e a apanhar cocós) foi o facto de não podermos levá-la a lado nenhum durante 2 meses após a adopção pois, segundo a veterinária, ela ainda não tinha defesas suficientes para ficar imune a doenças transmitidas por outros cães ou por vestígios deixados por eles em parques e etc. Acho que levá-la a passear, nem que fosse aqui pela rua, a teria ajudado a gastar energia, a aprender a fazer as necessidades lá fora mais rapidamente e também a reforçar os nossos laços.

É curioso o facto de, desde aquele dia na clínica veterinária, a Peppa preferir o Zé a mim! Seja quanto ele chega a casa, quando ele sai, quando ele a chama... tudo com o Zé é mais intenso, como numa lealdade cega, ahahah. A veterinária disse que não há razão para isso acontecer, mas eu acho que a Peppa vê o Zé como o "macho alfa" e, por isso, podendo escolher entre mim e ele, ela escolhe sempre o Zé.


Entretanto a nossa Pepita já está a fazer 7 meses e, apesar da nossa casa ter mais pêlos, algumas coisas destruídas e menos sossego, já não dá para viver sem ela! É uma cadelinha irrequieta e brincalhona mas que sabe quando parar, adora receber atenção e é muito mimalha. Ainda temos várias coisas para aprender no que toca a lidar com um cão mas não estamos arrependidos e acho que, ao termos uma cadela e um gato, temos o melhor dos dois mundos. 💓

hobbies | Review do Livro 'Diz-lhe Que Não' e inevitáveis considerações sobre amor


Não é habitual eu fazer reviews de livros porque, regra geral, levo eternidades até acabar de os ler. Mas quando comprei o livro da Helena Magalhães sabia que ia ser diferente, porque já devoro a rubrica dela "O amor é outra coisa" com grande facilidade - não me enganei: demorei exactamente 1 semana a lê-lo (recorde para mim!). É de muito fácil leitura porque todo o livro está escrito como se a Helena estivesse a falar connosco, a confidenciar-nos vivências e a aconselhar-nos. Eu concordei com muita coisa, discordei de outras e, nestas nestas últimas páginas, já nem conseguia concentrar-me bem porque havia muita coisa para reflectir e que queria dizer! Como só posso responder à Helena por escrito, faço-o neste post de review do livro "Diz-lhe que Não".


Antes de mais... eu não ia comprar o livro

Vou confessar-vos uma coisa: apesar de ser leitora assídua do The Styland e da sua rubrica, eu não pensei comprar o livro quando ele saiu - talvez por ter uma visão muito própria do amor, por estar numa relação longa e saber que o livro é um apanhado de não-relações que me iam deixar a pensar demasiado (leia-se: paranóica). Mas ele perseguiu-me! Não parava de me aparecer na cronologia e nos stories do Instagram, no Facebook, deu por mim a ouvir uma entrevista à Helena n'A Prova Oral (minha companhia constante nos regressos a casa depois do trabalho)... enfim, não havia como fugir e acabei por ceder. 


As primeiras impressões do livro (tentando não ser muito spoiler)

Bem, o amor é mesmo muitas coisas e, infelizmente, para muitas de nós, por vezes é mesmo uma merda. No tempo dos nossos avós parecia bem mais simples: o primeiro amor era o que, regra geral, levava ao casamento e a uma vida de união de décadas com filhos e netos à mistura. Com os nossos pais as coisas complicaram-se um pouco e, na nossa geração, encontrar alguém decente pode parecer uma busca sem fim à vista. Pelo meio há sempre histórias que nos escapam - porque não há relações perfeitas - e é nisso que o livro da Helena se destaca: dá-nos a conhecer histórias verídicas, de pessoas que ela conhece pessoalmente, relatando realidades que, por vezes, nos são alheias mas que precisamos de conhecer para nos fortalecermos emocionalmente.


Livro não aconselhado a pessoas vulneráveis

Este é daqueles livros que nos abre a mente para outras realidades no amor que, de tão más que são, algumas parecem ficção. Eu sabia que o "Diz-lhe Que Não" ia mexer com a minha bolha de confiança porque muitas vezes basta saber, por exemplo, que a amiga da amiga terminou uma relação de anos ou ver um romance dramático para soar um alarme na minha cabeça e começar a questionar tudo: as intenções das pessoas, a honestidade, a capacidade de esconderem uma vida dupla, a tendência para relativizar as traições, etc.

E neste livro há mesmo de tudo. Por isso preparem o vosso coração porque, ou vão identificar-se muito com os casos mal resolvidos e eles servir-vos-ão de lição ou, por outro lado, não terão nada a ver com a vossa realidade mas deixar-vos-ão alerta.


Todas as relações têm um "mas"

Quando conhecemos alguém, desconhecemos muito do seu universo - há mesmo quem defenda que nunca conhecemos realmente alguém, o que acho um bocado assustador - por isso, para não nos magoarmos logo à partida, defendo que devemos tentar conhecer minimamente bem a outra pessoa antes de avançar para uma relação. Há que saber identificar os "mas" que conseguimos suportar e os "mas" com que não compactuamos de todo. Em alguns casos podem ser coisas simples, como aceitar que a outra pessoa tem interesses e gostos diferentes dos nossos e, noutros casos, pode ser algo mais complexo como ter de lidar com problemas pessoais mal resolvidos - como na história do Pila Pequena - ou até mesmo com a existência de uma terceira pessoa.


Amor e traições

Não se pode falar de amor sem, eventualmente, falar também em traição. Isso é claro no livro "Diz-lhe Que Não" e, ao lê-lo, tomei [mais] consciência do que existe "lá fora". Às vezes parece que anda meio mundo a trair outro meio e que OH MEU DEUS, será que isso está a acontecer comigo e eu não me apercebo?! Conheço pessoas com namoros longos que foram traídas, perdoaram e seguiram em frente com a sua relação. Mas, para mim, uma traição representa uma relação que está condenada porque se quebraram dois pilares fundamentais: o respeito e a sinceridade. Se a pessoa quer trair, se se sente atraída por outra e quer explorar isso, que resolva o que já tem antes de avançar. É o mínimo que se pede a alguém que assumiu um compromisso connosco, não?

Quando estamos numa relação há muito tempo, sentimo-nos seguras e isso faz com que, por vezes, baixemos a guarda e tomemos tudo como garantido. A solução não passa por viver em desconfiança constante, com teorias da conspiração na cabeça e prontas para descortinar todo e qualquer sinal: temos sim de ter consciência que, para uma relação resultar, há que trabalhar diariamente, amar a outra pessoa, expressar isso de todas as formas e exigir amor em troca. Caso contrário podemos estar a criar espaço para uma terceira pessoa - conhecem aquela teoria de que "só trai quem não está satisfeito com a sua relação", certo?

No entanto isto não é linear. Há quem faça tudo certo e seja traído e há também quem prefira viver numa relação em que sabe que é traído do que acabar tudo e ficar sozinho...



Concluindo...

Já a minha mãe dizia que "cada um sabe de si e Deus sabe de todos" - adoro esta expressão! E é verdade: não podemos julgar os relacionamentos alheios porque só as pessoas envolvidas é que sabem realmente o que se passa, o que sentem que merecem e o que estão dispostas a aceitar. Todas as histórias do livro da Helena são contadas do ponto de vista dela, não conhecemos a outra versão. A cabra com quem o nosso namorado nos trai pode não ser tão cabra assim - como na história do Extraditado - e o homem que se mostra interessado em nós mas que nos evita - como o Telecomunicações - há-de ter uma explicação para dar, que podemos aceitar ou não. Mas, no amor, é difícil ser racional e distinguir o certo do errado. Pensamos com o coração e a tendência é para viver o presente e dar uma hipótese a quem aparece com a promessa de nos fazer felizes.

A Helena fala sobre isto na conclusão do livro e eu, que estava com receio de ficar decepcionada nas últimas páginas, encontrei um equilíbrio e um discernimento reconfortantes. Mais palavras sábias de quem já tem um longo mestrado em relações - como ela própria admite - e faz uso dessa sabedoria para nos dar a conhecer um pouco mais deste mundo do amor e do desamor.

Aconselho a leitura? Sim! Porque a Helena consegue que a Olívia, a Beatriz, a Laura e as outras protagonistas das histórias se tornem próximas de nós, como se estivéssemos na mesma mesa do restaurante ou do café a conversar sobre as frustrações do amor e as ironias da vida. Seja em que fase da vida estejamos e do nível de experiência que temos, elas ensinam-nos algo, fazem-nos reflectir e alertam-nos para a realidade à nossa volta. E eu gosto de livros que, apesar de me tocarem em feridas, me ajudam a seguir em frente. Obrigada, Helena! 💘

5 dicas para ter um blog cativante


Quando há 6 anos descobri a blogosfera, não me lembro de haver tantos blogs - incluindo blogs nacionais! Ao longo dos últimos anos houve claramente um boom, e isso faz com que seja ainda mais difícil diferenciar o nosso blog e evitar que seja visto como apenas "mais um". Existem pequenos grandes detalhes aos quais devemos prestar atenção quando procuramos cativar os nossos visitantes e fazer com que se convertam em seguidores regulares. Neste post partilho alguns dos que acho mais importantes, como visitante e como blogger 😊

{1}
Criar conteúdo original


É improvável que um blog nos fique na memória se os conteúdos abordados são os mesmos que nos outros 500 blogs do género - já para não falar em textos que tenham sido copiados de outros sites e convertidos em post-relâmpago (ainda que se refira a fonte)! Se querem marcar a diferença no vosso blog, coloquem os dedos no teclado e escrevam conteúdos originais. Exemplo: Imperatriz Sissi


{2}
Ser fiel a si mesma

imagem: wishwishwish.net

Dar-nos a conhecer num blog pode ser um processo demorado, sobretudo se tivermos optado por um perfil anónimo. Ao início é estranho, parece que estamos a escrever para ninguém, mas acreditem que faz toda a diferença escrever de acordo com a nossa personalidade e forma de pensar. Todas as pessoas são diferentes, por isso usem isso em vosso favor na hora de diferenciar o vosso espaço virtual. Quem se identificar convosco, certamente terá interesse em acompanhar os posts que se seguirão. Exemplo: Na Nossa Vida

{3}
Evitar os clichés


Quanto a vocês não sei, mas eu estou enjoada de ver as mesmas fotografias-cliché espalhadas pela blogosfera: são os Mac em cima da cama, os copos do Starbucks, a maquilhagem espalhada na secretária... vocês sabem o que quero dizer, porque estas fotografias estão por todo o lado! Não é que não sejam bonitas ou inspiradoras - são! - mas, de tanto as vermos, tornaram-se vulgares e não acrescentam grande coisa a um post. Prefiram usar fotografias tiradas por vocês (convosco incluídas ou não) e diferentes do habitual. Exemplo: The Styland

{4}
Expressar uma identidade própria


É importante criar uma identidade na blogosfera, algo que as seguidoras associem somente a nós e que nos caracterize. Pode ser a escrita, o tipo de registo fotográfico, as rubricas, o layout do blog, a forma de vestir, etc. O importante é manter essa identidade ao longo do tempo de forma a torná-la sólida, e não acordar todos os dias a querer ser uma blogger diferente. Exemplo: Radioactive Unicorns

{5}
Comunicar


Escrever é comunicar, mas nem toda a escrita é comunicação, certo? Há posts em blogs que não nos dizem absolutamente nada, certo? Se querem que o vosso blog fique na memória dos visitantes, comuniquem com eles: não escrevam num tom impessoal e objetivo, como se fosse um artigo de uma revista. Dêem opiniões, partilhem experiências, respondam aos comentários... basicamente escrevam como se estivessem a escrever para alguém que conhecem e com quem gostam de falar. Exemplo: Joan of July


No fundo estes pontos giram todos à volta do mesmo: sejam pessoas reais no vosso blog e acrescentem algo de novo! O mundo não precisa de mais bloggers "fabricadas" que passam a imagem de uma vida perfeita, sem dramas nem preocupações de pessoas comuns. Na minha opinião, só assim poderemos cativar os nossos leitores e, acima de tudo, ter gosto pelo que fazemos! 😉

pessoal | Viver para trabalhar VS trabalhar para viver e um tiro no escuro


(imagem daqui)
Há já algumas semanas que ando para escrever este post, em que também explico o porquê da minha ausência de meses aqui no 18 and a life e o regresso súbito. Eu sei que não tenho de me justificar, mas preciso mesmo de escrever o que me vai na alma mais como uma terapia do que por outra razão, porque estou novamente a passar por uma fase de mudança.

Lembram-se de, há 1 ano, eu ter conseguido entrar na empresa na qual queria muito trabalhar? Fiquei incrédula quando soube que me tinham aceite, naquele dia senti-me mesmo a rapariga mais sortuda do mundo! Tratei de informar o meu chefe da altura que me ia embora - ele ficou indignado, mas depois lá nos entendemos - e comecei a nova aventura. Este mês informei os meus actuais chefes de que já não quero/já não consigo trabalhar mais ali e que vou sair - mesmo sem ter para onde ir.

Mas se aquela era a empresa onde eu queria tanto trabalhar, o que é que mudou para que eu já não consiga mais lá estar? O que me leva arriscar sair de um trabalho em que, à partida, tinha o meu lugar garantido, para me atirar assim para "o escuro"? A lista é imensa, mas resume-se a isto: o meu bem-estar e felicidade porque, no final, isso é o que mais importa.
Após os primeiros meses naquela empresa contei-vos que não estava a ser fácil, mas que as coisas entretanto começavam a melhorar. Era evidente para mim e para os meus chefes que trabalhávamos de forma diferente e que, devido a isso, eu não me encaixava bem naquele ambiente. Eles disseram-me de sua justiça e eu, apesar de não concordar, queria muito aquele trabalho e assumi estar disposta a mudar para corresponder à pessoa que eles queriam que eu fosse. Escusado será dizer que isso não aconteceu por completo porque não é em meses que mudamos quem somos - se é que realmente chegamos a mudar por completo, eu acho que não.

Os tempos que se seguiram foram mais tranquilos, eu senti que estava a melhorar e a tornar-me na profissional que eles queriam que eu fosse... só que não. Eu realmente posso ter melhorado em alguns aspectos, mas só agora vejo que, naquela conversa que tivemos, eu não subentendi o que eles realmente queriam dizer com eu ter de ser mais descontraída e menos "certinha". Comigo é "pão pão, queijo queijo" e eles são mais "pão com queijo" e esperavam que eu fosse assim também.

Sem querer entrar em pormenores, neste trabalho fiquei a conhecer de perto pessoas que vivem para trabalhar em vez de trabalharem para viver, pessoas que abdicam da sua vida pessoal em função da profissional (ou que misturam as duas, não sei o que é pior), que enviam emails às 3h da manhã, que não têm fins-de-semana nem feriados, que não se importam de trabalhar 18h seguidas e repetir no dia seguinte: verdadeiros workaholics. E, ao conhecer estas pessoas, percebi que não é isso que quero para a minha vida.

Nos meses mais intensos que tive lá no trabalho, por excesso de trabalho, comecei realmente a ir-me abaixo. Não conseguia dormir bem à noite, perdi o apetite, andava sempre stressada, agitada, irritada, cheguei a ter crises de ansiedade, chegava a casa frustrada e nem depois de fins-de-semana descontraídos e fora do meu ambiente habitual conseguia desligar e repor a minha energia para começar mais uma semana. O trabalho não me corria bem, eu ficava mal com isso e, por consequência, não conseguia dar a volta por cima e melhorar a situação. Era um ciclo e, depois de ter experimentado de tudo para ter a certeza que a origem do problema não era a minha falta de organização nem de esforço, fui falar com os meus chefes para lhes dizer o que se estava a passar - pois eu não tinha a certeza se se apercebiam. Da primeira vez compreenderam mas disseram que estávamos todos a passar uma fase menos boa e que tínhamos de aguentar. Da segunda vez, cerca de 1 a 2 meses depois, voltei a falar com eles e aí sim, tomaram uma posição e mudaram/facilitaram alguns aspectos. No entanto, outras situações surgiram pelo meio, eu comecei a ver que, em breve, os meus meses mais negros iam repetir-se (ou ser piores) e admiti que não conseguia ser a profissional que eles queriam que eu fosse, dedicar-me a 100% como eles exigiam, e que era preferível contratarem alguém para o meu lugar porque eu ia sair.

(GIF daqui)
Só de escrever isto, e reviver tudo novamente na minha cabeça, sinto-me tão ansiosa como no dia em que tive ser de frontal com eles. Antes disso, tive de ser racional e honesta comigo própria, perceber o que estava a acontecer comigo e as repercussões disso na minha vida pessoal - sobretudo na minha relação com o Zé que, eventualmente, estava a ser prejudicada por mais compreensivo que ele estivesse a ser - entender que o meu bem-estar e felicidade estavam acima de tudo o resto, e que eu não podia continuar assim porque não ia correr bem para ninguém. 

Apesar dos "avisos", acho que apanhei os meus chefes desprevenidos com esta notícia. Aos olhos deles, eles apostaram em mim a partir do momento em que decidiram contratar-me, sobretudo pela minha grande motivação em querer trabalhar com eles, e agora eu estava a fraquejar, a negar-me. Disseram-me que tenho falta de ambição. Não concordei e respondi que, a meu ver, ambição é procurar sempre algo melhor que a situação em que nos encontramos, e que é isso que estou a fazer ao decidir sair. A conclusão a que chegámos é que temos formas muito distintas de interpretar e viver o trabalho e, por sermos incompatíveis nisso, e é melhor seguirmos caminhos diferentes.

Decisão tomada e anunciada, aproximam-se tempos de mudança. Não sei o que se segue, isto foi um verdadeiro tiro no escuro, mas tinha de ser e no timming que foi. Estou confiante, sei do que sou capaz e, apesar de querer continuar a trabalhar na área do marketing digital, não me importarei de passar alguns meses atrás de uma caixa de supermercado se assim tiver de ser, se não encontrar nada para já. Por agora só peço descanso, alguns dias de férias - que terei em breve - para desligar de todo este stress, e começar noutro sítio com energia e motivação renovadas!

(imagem daqui)

review | A bola aromatizadora da Boles d'Olor


Sabem quando se aproximam de uma Zara Home, de um Boticário, de uma Natura e sentem aquele cheirinho característico da loja, que convida a entrar? Sempre desejei que a minha casa tivesse um cheirinho bom assim, não apenas para receber convidados mas sobretudo para combinar com a limpeza e ordem que tento manter. Porém, desde que aqui estamos, as experiências não têm sido as melhores: sobretudo em dias de chuva, a casa fica com cheiro que faz lembrar bafio - e não é como se ela estivesse fechada 24h! Além disso, penso que o facto de termos uma casa pequena e uma cozinha aberta também não ajuda porque basta, por exemplo, queimar as torradas, para toda a casa ficar a cheirar a queimado.

Mikados ambientadores, velas perfumadas, ambientadores da Air-Wick: tentei de tudo e nada me satisfazia! Até que, no início do ano fiquei a conhecer, através do Instagram, a bola aromatizadora da Boles d'Olor. A forma simples como funciona deixou-me encantada:

Basta adicionar água ao depósito, algumas gotas de óleos essenciais e ligar a bola para que, logo em seguida, comece a difundir a flagrância de forma muito subtil. 
Ao pesquisar sobre o produto percebi que a flagrância se espalha através de uma "bruma de vapor" de finas partículas que ajudam ainda a purificar o ar - daí que este aparelho se chame também "brumizador". Todos os comentários e reviews que lia lhe teciam largos elogios, dizendo que é mesmo o melhor ambientador que já conheceram. Fiquei convencida mas, quando finalmente decidi comprar, estava esgotada em todo o lado - ao que parece, é habitual.

Meses depois passei por Pombal e sabia que aí havia uma loja de produtos de casa - a Bolaroma - que é também representante oficial da Boles D'Olor. Entrei à procura da bola e lá estava ela! Apesar de existirem outros modelos e tamanhos, eu estava interessada na Bola Aromatizadora Essencials, de 400ml, com capacidade para perfumar uma área de cerca de 50m² - para a minha casa de 80m² é o que basta. 


Além da função de ambientador, quando está ligada, a bola emite também um som de água a correr (graças à "ventoinha" que mexe a água) e uma luz que vai mudando de cor. Sinceramente estes são aspectos que dispenso porque não acho que sejam relaxantes como é suposto, e tornam-na pouco discreta. Abaixo um vídeo com ela a funcionar:

A escolha das essências foi a parte mais complicada: existem imensas, no formato de 50ml (a 9,90€) e de 10ml (a 2,80€). Como não conhecia nenhuma e não queria arriscar comprar uma grande quantidade de uma flagrância que depois me enjoasse, trouxe comigo duas de 10ml: a Ambar (um cheiro amadeirado, quente e doce q.b. - a minha preferida até agora) e a Angel's Charm (uma flagrância orienta e sofisticada, que poderia facilmente ser um perfume de mulher).


Apresentações feitas, sei que querem saber se, de facto, esta opção aromatizadora para casa é tão boa como tantas pessoas apregoam. Esta é a minha opinião, com todas as observações e mais algumas:

PRÓS:
● Disponível em diferentes tamanhos, formatos e cores - todos funcionam da mesma forma;
● A marca é conhecida e de qualidade;
●O facto de funcionar à base de óleos essenciais concentrados faz desta bola um ambientador muito especial, porque a flagrância que se sente não é química nem prejudicial, sendo indicada para pessoas com problemas respiratórios;
● O perfume sente-se segundos depois de a ligar a bola e difunde-se rapidamente;
● Existem imensas flagrâncias à escolha, o que permite variar bastante;
● Apesar da bola funcionar ligada à tomada, consome pouco;
● Os 400ml de água rendem 20h de utilização (no entanto não convém deixar a bola ligada por mais de 8h seguidas);
● Com o preço de 32€ (que não varia muito de loja para loja), acho uma excelente compra!
● Tem garantia de 2 anos.

CONTRAS:
● Infelizmente não noto que o perfume se mantenha durante muito tempo depois de desligar a bola, o que também pode ter a ver com o facto de ter escolhido flagrâncias mais suaves (esperava que, ligando-a apenas por algumas horas, o cheiro se mantivesse ao longo de todo o dia);
● O facto de funcionar apenas ligada à tomada pode torná-la perigosa para animais e crianças, e o cabo que a liga à tomada não é muito longo;
● A bola é de um plástico não muito rígido, o que a torna um pouco frágil.
● Difícil de encontrar à venda em lojas, por esgotar facilmente e não haver muitos revendedores - no entanto é fácil encontrá-la à venda online - aconselho a Bolaroma, são super prestáveis!

Não se deixem enganar pelos contras: esta bola aromatizadora é um must-have para quem quer ter a casa cheirosinha e uma excelente compra! 😉

pessoal | 2 meses sem comprar nada - o desafio


Há algum tempo que queria desafiar-me a passar 1 mês sem comprar nada de supérfluo: roupa, acessórios, calçado, maquilhagem, etc. Queria experimentar o minimalismo e dar mais valor ao que tenho, não ser consumista, reservar o dinheiro para coisas mais importantes, dar uma nova vida às peças esquecidas no armário... e todas essas vantagens de que falam as pessoas que já experimentaram. Mas, assim que começava o mês a portar-me bem, sempre apareciam saldos, promoções relâmpago e outras tentações às quais eu não resistia.

Finalmente, lá para meados de Março, dei por mim a evitar este tipo de compras a todo o custo e por uma simples razão: outras despesas se impunham. De um momento para o outro, gastar 20€ numa camisola era um capricho que eu não podia ter, e a mesma disciplina teve de manter-se por mais um mês. Não foi planeado, foi mesmo por necessidade e, agora que as contas voltaram à normalidade, é que percebi que, sem querer, cumpri o desafio que andei a adiar durante meses!


Passei 2 meses sem comprar nada e não foi nada animador


Talvez por ter levado a cabo o desafio por uma questão de necessidade e não por espontânea vontade e data de fim definida, custou-me mais do que estava à espera. Vi-me obrigada a adiar várias compras que queria fazer, ignorar promoções tentadoras, desviar os olhos das novidades da nova colecção e lidar com o facto de todos à minha volta estarem comprar coisas novas. O meu guarda-roupa tornou-se mais aborrecido que nunca, a roupa pareceu envelhecer mais depressa, vestir-me de manhã passou a ser uma frustração e comecei a repetir as roupas e conjuntos mais vezes do que gostaria - incluindo peças que já pediam uma reforma de tão gastas que estavam.

Tudo isto tornou-se muito desanimante e teve um efeito negativo na minha auto-estima. Sentia-me como aquelas mulheres do What Not To Wear que, ao longo dos anos, se colocam em último lugar e simplesmente desistem delas próprias, sabem? Passam a andar sempre com o cabelo apanhado para não terem trabalho com ele, já não se maquilham, vestem a primeira coisa que lhes vem à mão - quanto mais básico, melhor - e acabam por passar uma imagem muito aborrecida delas próprias.

Esta experiência veio reforçar a minha teoria de que o nosso guarda-roupa tem peso na nossa individualidade. Não acho que esteja a ser fútil porque, no meu caso, não poder comprar significa, sobretudo, abdicar de algo que me anima e de uma forma de recompensa pessoal. Se me farto de trabalhar e estou desanimada, comprar e usar uma peça nova que andei a namorar e/ou que me faz sentir bonita é um estímulo para que os dias sejam melhores. E sobretudo porque estava a passar uma fase complicada a nível profissional e pessoal, a impossibilidade de comprar coisas novas fez-me sentir desleixada, desinteressante, como se tivesse desistido de cuidar de mim e da minha imagem


É apenas uma questão de mentalidade e habituação?


Várias vezes me passou pela cabeça que, se estivesse em qualquer outro sítio do mundo onde comprar roupa não é de todo uma preocupação, muito provavelmente não me sentiria assim. Se estivesse, por exemplo, a fazer voluntariado numa comunidade pobre, queria lá saber se tinha sapatos que combinassem com o resto! Mas não estava: continuei no mesmo sítio, rodeada pelas mesmas pessoas e com esse pensamento constante de que era menos que os outros e menos do que era há pouco tempo atrás. 

Neste caso também percebi que, por pouco influenciável que me considere, o facto de estar em baixo tornou-me mais vulnerável a comparações: ver toda a gente à minha volta a comprar coisas novas e eu sem poder fazer o mesmo deixou-me angustiada. Ainda que algumas peças tivessem sido compradas no ano anterior, tinha a sensação de que, no geral, as minhas roupas tinham envelhecido anos, que estavam desactualizadas, gastas, desinteressantes e que eu só as vestia porque, de facto, não tinha outra alternativa.

Sim, tentei mentalizar-me do contrário, tentei animar-me com a ideia de que existem coisas mais importantes, convencer-me de que estava a ser fútil mas, naquele momento, e devido à privação que não planeei, a minha imagem era a minha principal preocupação. A sensação assemelha-se à de quando estamos a fazer uma dieta por obrigação: de repente, o que os outros comem parece muito mais apetitoso e só queremos poder comer o mesmo.


O lado positivo da experiência


Felizmente, 2 meses depois esta abstinência chegou ao fim. E quando percebi que finalmente as contas tinham estabilizado e que voltava a ter algum dinheiro extra para comprar o que quisesse, foi como voltar a um vício - mas em pior! Não parava de ver sites de roupa, queria ir ao shopping todos os dias, fazia listas mentais do que queria comprar, dar 90€ por um bikini já não parecia um exagero, inventava coisas de que precisava... estava, de facto, a ter uma recaída no consumismo.

Lá fiz a vontade a mim mesma, comprando uma série de artigos e isso fez-me sentir mais relaxada. Mas logo depois percebi: este comportamento era uma tentativa inconsciente de tentar compensar a minha experiência negativa dos meses anteriores. Eu não precisava realmente de todas aquelas coisas - na verdade até se tornaram menos interessantes depois de as ter - então fiz o que qualquer pessoa racional faria: devolvi a maioria dos artigos.

Não me custou e, agora que penso neles, não voltaria comprá-los. Há, inclusivamente, coisas que preciso comprar e que posso comprar, mas não me apetece, neste momento, gastar dinheiro nelas.

Quem diria? Parece que, apesar de dura, a experiência parece ter-me curado! Mantenho-me firme na minha decisão de ponderar bem as compras supérfluas, já não me sinto influenciável como sentia, e parece mesmo que tudo voltou à sua ordem natural.  Será que é para durar?